SALVE-SE QUEM PUDER!!!
Oi gente, apesar do título do meu post, vou aproveitar para contar que este final de semana conheci um blog muito legal!!! Aliás, legal não, muito bacana e divertidíssimo!!! Para quem não conhece, dê uma passadinha no http://assimcomovoce.folha.blog.uol.com.br Façam uma visitinha e vejam que o cara é show!! De maneira divertida e linguagem simples, transmite para nós que estamos do lado de cá uma fidelidade namensagem que deseja passar! Bem, mas como eu ia contar para vocês, hoje passei por uma experiência, que não foi das melhores!!! Como já sabem, estou trabalhando numa consultoria de inclusão HTTP://www.movimentoincluir.com.br e hoje foi mais um dia de treinamento numa empresa. Então os convido a visualizarem as seguintes cenas. 5:35 E O relógio toca. Ai que preguiça. Penso um pouco sobre as atividades do dia, dou uma esticada, viro para um lado para o outro e não tem jeito, tenho que levantar. Ok, abro o guarda-roupa, pego uma blusa, fico em dúvida quanto sua cor e então escolho uma calça preta, porque pelo menos se for uma cor que não combine com marron por exemplo, não fica tão esdrúxulo. Em seguida vou para o chuveiro e tomo aquele banho, hum que delícia tomar banho logo pela manhã. Faço minhas rotinas com o Charlie como dar comida, levar para fazer suas necessidades e lá vamos nós tentar pegar um ônibus que nos caiba. Dou sinal para a primeira lotação e nada. Passa direto. “Ai que raiva, de adiantada, vou ficar atrasada”... Passa a segunda e de novo nem faz mensão de parar, deve ter gente até pelo teto, não é possível!!!! Quando estou quase desanimada, achando que vou chegar na hora do almoço no treinamento, rsrs, vem um ônibus generoso lotado, mas como coração de mãe, coube mais um, ops, quer dizer, mais 2, Charlie e eu. Sentada naquele banquinho da frente que mal dava para encaixar minhas pernas, tive de dar um jeito que coubesse pelo menos a pata do Charlie. Aperta daqui, aperta dali e ufa!!! Estamos chegando no local que quem sabe podemos pegar um outro menos cheio. Eu poderia continuar o caminho e descer na estação de metrô, mas dadas as condições precárias em que nos encontrávamos, era melhor descer pelo caminho e tentar um menos cheio. Dito e feito, descemos e pegamos um beeeeeeem mais vazio. Milagre!!! Finalmente chegamos na estação e agora eu já saberia que seria um Deus nos acuda para entrar no metrô. Fui para a ponta da estação, porque diz a lenda que o primeiro vagão é destinado para pessoas com deficiência, gestantes e idosos, mas diz a lenda mesmo, porque se for assim, nooooooooossa, como tem gente nestas condições, Né? O vagão é megalotado e para conseguirmos uma vaguinha normalmente temos que esperar por vários metrôs até que venha um decente. Desta vez eu não podia esperar, se tivesse um espacinho para colocar as nossas patas, tentaríamos nos infiltrar, hehehe. E assim foi feito. Veio o metrô e na primeira tentativa conseguimos. Vocês devem estar pensando: “Que sorte! Metrô vazio!” Ledo engano meus queridos, só tinha um espaço para nós mesmo. Nem eu acreditei que estava ali dividindo um mesmo espaço com alguns corpos. Quem disse que um mesmo espaço não pode ser dividido por vários corpos? Acho que esta Lei já está ultrapassada, rsrsrs... Bem, mas enfim, chegamos na estação Sé. Para descer não precisamos fazer muito esforço. Só foi deixar o corpo mole que o pessoal se encarregou do resto. Acho que até quem não queria descer ali estava sujeito a ficar por lá mesmo. Enfim, mais uma etapa concluída e reta final!!!! Encontro um amigo que é funcionário do metrô. Na verdade nos tornamos amigos da época em que eu utilizava bengala e os serviços dos funcionários para me levar até os destinos que eu desejasse. Ainda bem que não dependo mais, porque este assunto merece um post contando as horas de raiva por esta dependência. Mas, voltando, falei com o amigo e ele me ensinou o caminho do elevador. Me disse que se eu o pegasse ficaria na plataforma central e para embarcar seria moleza. Eu logo aceitei, porque afinal, era minha chance de ganhar o tempo que havia perdido por esperar uma lotação menos lotada, rsrs. Imaginei que ali estaria apenas eu ou mais alguém que de fato precisasse do meio para conseguir entrar com mais tranqüilidade na outra lata de sardinha. Porém, contudo, entretanto, todavia, não foi assim. Acho que de todos, só eu tinha deficiência e estava no direito de utilizar do bendito elevador.Ok, mas entre pensamentos e reivindicações, chegamos a plataforma indicada e logo veio um metrô!!! Noooossa! Que rápido!!! Entrei e nem acredito! Um lugar bem vazio!!! De repente foi como se as porteiras do curral tivesse sido abertas. Sem que eu pudesse respirar e pensar em achar um lugar para se sentar, eis que Charlie corre sérios riscos de ficar para fora!!! Pense num braço quase saindo do corpo. Seria cômico se não fosse trágico. Pessoas de todos os lados gritando que ali tinha uma pessoa com deficiência, para pararem de empurrar e nada... Até que uma pobre alma me puxa e finalmente nos encaixamos num banto e nos sentamos. Ufaaa! Que alívio. Daí uma senhora me diz a seguinte frase: “Eles tinham que estar em outro lugar, não aqui que é lotado”. – se referindo a mim - Aí gente não agüentei!!! Estava para explodir e então só respondi que não precisava de nada especial desde que as pessoas fossem educadas e mais conscientes... Juro quetentei, mas não deu para segurar... E entre mortos e feridos, salvaram-se todos. Por mais que eu passei por momentos terríveis, não estraguei o meu dia. Afinal, dali poucos minutos eu contaria para algumas pessoas como era a vida de uma pessoa com deficiência. Tinha e tenho esperança de que sempre formamos agentes que multiplicarão o conhecimento e contribuirá para uma sociedade mais educada, um pouco melhor. Gente, mas não posso deixar de contar que por um minuto me veio o pensamento de que seria ótimo que os nossos políticos e também algumas pessoas maleducadas pudesse utilizar os transportes no horário de pico sentado numa cadeira, utilizando uma bengala ou até mesmo um cão-guia. Fica aqui o convite, se alguém quiser se aventurar... Abraços e tenho esperança de que um dia chegamos lá... Só não sei onde...
Escrito por juecharlie às 19h10
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